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Cola & Coffee

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June 21st, 2007

A vida que todos querem [Jun. 21st, 2007|02:27 am]
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Esse é um tema no mínimo,  digamos, controverso. Há pessoas que querem a paz; outras, a guerra. Amor; outras, a indiferença. A quietude; outras, as baladas, a movimentação. Tudo entra em nossas contas pessoais quando determinamos o que queremos para nossa vida.

Isso tudo faz parte da construção da sociedade. Há coisas que a maioria das pessoas quer nela; como discriminarmos certas coisas que requerem pouca divagação para surgirem da boca das pessoas, como futebol, moda, alegria - quesitos hoje almejados pela massa brasileira.

O brasileiro que lê isso e discorda comumente não se identifica com essa realidade. Tudo fica nebuloso, o compreendimento do mundo requer muito mais pensamento que ação, a identificação não é imediata ou não existe, a pessoa vê-se alienada ao mundo que a circunda.

Essa progressão também não é muito desconhecida, geralmente: quando o compreendimento do mundo requer muito mais pensamento que ação, significa "o que estou fazendo aqui?". A identificação não ser imediata ou não existir significa "será que aqui tem algo que eu consiga aproveitar?". E a pessoa se descobrir alienada é "eu não sou isso".

Um comprometimento que temos com nossa realidade é mantê-la como em um sonho. E de vez em quando o sonho de outras pessoas participa do nosso, podendo torná-lo um pesadelo se não houver uma linha de raciocínio para dissociar o 'nosso' do 'dos outros'. A posse é indissociável do ponto de vista do indivíduo quando com relação a seus desejos.

Para discorrer acerca de 'a vida que todos querem', é necessário explicar esse ponto de vista: a vida desejada por todos tem, na individualidade, de respeitar os aspectos únicos de cada personagem dessa história. Na coletividade, tem por objetivo a harmonia ou a possibilidade de convívio destes mesmos personagens.

Quando nos olhamos no espelho, vemos uma imagem psicologicamente incompleta, porque todos nós estamos em desenvolvimento e podemos até almejar coisas diferentes das que hoje fazemos ou até trilhamos para o futuro. Os objetivos estão mais ou menos ali quando resolvemos nos encarar.

As realidades, muitas vezes conflitantes, podem unir ou separar as pessoas nos planos nas quais estão convergindo para escrever uma página de história. Essa realidade quando escolhida para um relacionamento deve contemplar a aceitação da outra parte interessada, ou a relação fada-se ao fracasso.

Relacionamentos, maritais ou não, servem para explicarmos uma parte do que significa sociedade. Agem como fatores fortemente atuantes na seleção natural de quem ficará perto, quem ficará longe ou quem não ficará. E quando há ligação, ela sendo distante ou não, é porque há certa harmonia mesmo em um caos.

A sociedade, mais ou menos, quer paz para preservar-se. Diz-se mais ou menos porque às vezes ela paradoxalmente faz uso de violência como método de auto-preservação. Quer educação para coexistir de forma mais ou menos horizontal, moradia para simplesmente existir.

Então a vida que todos querem, na realidade, contemplará ao menos estes três fatores: a paz, a educação e a moradia, determinantes para a própria sobrevivência. Já profissões, sonhos de consumo e outros são fatores inteiramente criados pela própria sociedade para motivá-la a batalhar por algo mais que a simples moradia em paz com certa educação.

O cidadão cria, então, uma ilusão: o sonho de ter bens materiais. E torna a fomentar sua ganância por mais bens materiais esquecendo-se de que o primordial é relativamente fácil. A partir da conquista do primordial e do reconhecimento do que o é, ele pode resolver ser feliz. E, então, trazer para mais perto seus outros sonhos, que inclusive o moldarão para que ele se relacione com outros.

Não há nada de errado em tornar coisas capitais. Afinal, é apenas uma medida para referenciar trocas, seja entre cidadãos e cidadãos ou cidadãos e o governo. Apenas existe este efeito colateral: achar o capital insubstituível.

Em suma, o mais importante é que capital é capital; vida é vida. Não há correlação entre ambos, embora projete-se essa ilusão que, em certos casos, pode até funcionar como aporte (ahah) a uma lacuna psicológica.

Afinal, o imaterial foi "quem" criou o material, e não o contrário.
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